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Melhoramento Animal


Até há pouco mais de quinze anos as fêmeas e os próprios reprodutores masculinos eram recrutados sem qualquer critério, ou orientação; o que mais importava era obter uma cria por ano e para conseguir isso qualquer novilho ou bezerro servia. Mesmo quando alguns lavradores se associavam para a compra de um touro reprodutor, adoptava-se qualquer um sempre em função do dinheiro disponível e, como este era quase sempre escasso, é fácil ajuizar a categoria de tais reprodutores.



Perante tal indiferença de lavoura, os proprietários dos postos bovinos de reprodução não sentiam necessidade, nem mesmo a utilidade, de procurar reprodutores com algum valor zootécnico; assim foi decaindo e definhando o gado Arouquês. Devido a este estado de coisas, impunha-se medidas tendentes a pôr uma barreira à progressiva decadência deste efectivo bovino e a promover o seu melhoramento quanto as condições do meio o consentissem; desde há quinze anos a esta parte vêm sendo postas em execução as seguintes providências:

- Registo e licenciamento de todos os postos públicos de reprodução bovina;

- Inspecção anual, no ponto de vista sanitário e zootécnico, de todos os touros utilizados ou a utilizar nesses postos, com inexorável reprovação de todos que não ofereçam o mínimo de condições exigíveis para tal;

- Realização de concursos com o objectivo contribuir para o melhoramento e dispersão da raça Arouquesa, bem como apreciar a evolução que se vem operando nesse sentido nesta raça por acção da assistência técnica que se lhe vem prestando, através do registo Zootécnico.

É feito um extenso trabalho de campo que observa, regista e super-visiona os postos de cobrição e os seus movimentos, registo de vacas, cobrições, as parições e os registos dos vitelos; é feito um exame destes animais a fim de julgar o seu desenvolvimento, numa tentativa de avaliar a categoria dos pais como reprodutores e, a partir daí, aqueles que devem ser recriados para os postos de cobrição, a escolha das vitelas que devem ser recriadas para substituir as mães.


Características atípicas habitualmente observados:
Pelagem muito escura ou flava; com pestanas e borla da cauda louras; cabeça comprida; fronte estreita; cornos muito desenvolvidos, grossos e divergentes, gravitos ou em crescente; marrafa bem evidente; orelhas com pendurelhos ou pelindrengues ; focinho estreito; garupa afunilada; cauda muito alta ou baixa inserção e por vezes com claros desvios frontais.

Caracteres a fixar: Entre os caracteres que mais interessa fixar, não só por corresponderem ao tipo clássico deste grupo bovino, mas por parecerem relacionados com uma melhor aptidão lactígena pode-se destacar: pele pouco espessa e bastante elástica, revestida de pêlos finos e macios; pelagem castanho-claro com pêlos escuros ou pretos em volta dos olhos, das orelha larga e pouco saliente; dorso e lombo largos e bem ligados; linha dorso-lombar direita; garupa comprida, larga e horizontal; peito largo e fundo; espáduas bem musculadas; abdómen regularmente desenvolvido; coxas e nádegas bem desenvolvidas, muito musculadas e convexas; cauda fina, de média inserção e com borla escura; membros fortes, bem aprumados, com largas articulações e bons cascos; úbere bem conformado sem ser carnudo, com tetos afastados e redenho vascular bem aparente e desenvolvido.

Porém, os defeitos que algumas vezes se apontam às nossas raças não são, em muitos casos de considerar já traduzem o reflexo da maneira como é conduzido o seu maneio, desde a desmama até ao fim da sua exploração, produção e criação de vitelos (as). De facto, muitos produtores escolhem a pior vitela para criar porque tem menos valor para venda, e, se têm de comprar, optam pela mais barata. Durante a recria, por vezes não dispensam os cuidados apropriado à sua alimentação, tanto no aspecto quantitativo, como no qualitativo. Situação que a ANCRA tem lutado para contrariar, incutindo a necessidade de seleccionar sempre os melhores vitelos para recria. A produção destes animais deve sempre primar pela extrema qualidade, sendo assim valorizada, e, assim tornar-se numa actividade cada vez mais lucrativa.

Se não houver Criadores esclarecidos não poderão existir bons animais.


 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
 
ELABORADO E PRODUZIDO POR JOÃO PEDRO FARIA @ ANCRA 2005